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18/06/2015
Análise de amido fecal como instrumento da nutrição animal


Estratégico e eficiente, o confinamento otimiza a propriedade e geralmente é conduzido no período da seca, devido à escassez de forragem de qualidade. Entretanto, somente cerca de 10% dos animais abatidos hoje no País são de confinamentos. Mercado, preços, animais para terminação e fontes de alimento são requisitos influenciadores, positivo e negativamente. O amido fecal é um indicador do aproveitamento do amido na dieta, no qual é possível ter maior controle sobre a mesma.

“O amido fecal dá uma estimativa bem próxima do que está acontecendo com o animal e isso é importante para a eficiência alimentar. Ele é o coração do confinamento e o aproveitamento pode variar de 80 a 100%”, esclarece o professor da Universidade da Califórnia (EUA), Richard Zinn, em palestra na capital sul-mato-grossense, Campo Grande. A ferramenta é simples, de acordo com o renomado nutricionista, sem muitos pormenores e foi inicialmente utilizada para avaliar a floculação do milho. “O produtor recolhe dez amostras de fezes de um mesmo lote e mesma dieta e envia o material seco para um laboratório credenciado, que por sua vez, mede a porcentagem de amido e entrega, em 24 horas, o valor de digestibilidade do lote”, detalha Zinn.

Atualmente, Canadá, Estados Unidos e México adotam em grande escala a tecnologia. No Brasil, a pecuária leiteira já observa os impactos positivos desse controle. Dados experimentais indicam que “para cada unidade percentual de variação na digestibilidade do amido tem-se 300 ml de variação na produção de leite. Portanto, se o índice passar de 80% para 95% deve-se esperar um aumento de 4,5 kg de leite ou melhora na condição corporal dos animais”, revela Marcelo Hentz Ramos, médico-veterinário, que acompanha o professor Richard Zinn durante o Ciclo de Palestras 3rlab por cidades brasileiras.

O especialista em nutrição de ruminantes comenta que na pecuária de corte o uso desse instrumento ainda é incipiente, mas com perspectivas favoráveis. “É um efeito muito grande no desempenho que pode fazer com que o boi coma menos e produza a mesma quantidade de carcaça. É um produto integrado ao animal, passa pelo manejo, pelo trato, pela rotina e tudo isso é acompanhado”.

“Era uma análise restrita e de custo elevado. Hoje há uma facilidade laboratorial, rápida e que permite ao nutricionista da propriedade ajustar a dieta do confinamento, melhorando assim o aproveitamento dos grãos processados”, avalia o consultor Rodrigo Otavio Splenger. Para ele, o produtor rural tem apostado no confinamento, com crescimento gradativo, e em tecnologias de ponta, reflexos da forte demanda por exportação da carne bovina nacional nos últimos anos. Conforme a Associação Nacional dos Confinadores (Assocon, Goiânia/GO), em 2015, os confinamentos brasileiros engordarão 4,47 milhões de animais, 7,6% superior a 2014.

Pesquisa. A análise do amido fecal pode ser considerada um instrumento de nutrição de precisão, com relevância em sistemas mais intensificados. “Nesses modelos de produção a eficiência é fundamental, pois os custos alimentares são altos. Portanto, qualquer ferramenta que promova ganhos em desempenho, mesmo que sejam pequenos, são valiosos”, ressalta o pesquisador da Embrapa, Rodrigo da Costa Gomes. “A Esalq/USP já trabalha nessa linha, tendo, inclusive desenvolvido curvas de calibração para amido fecal que permitem a utilização do NIRS na sua determinação”, complementa Sérgio Raposo de Medeiros. O NIRS é uma técnica laboratorial que utiliza a informação de como a luz reflete em determinada matéria para descrever suas características.

Na Embrapa em Campo Grande, Sérgio Raposo e Rodrigo Gomes esforçam-se para avaliar a emissão de gases de efeito estufa de diferentes sistemas de produção, como integração-lavoura-floresta e confinamento, visando aumentar a eficiência, a qualidade da carne e a rentabilidade do produtor.

Fonte: Feed Food



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